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Amor

Osho sobre o Amor

Amor como liberdade, amor como meditação, amor como a morte do ego — nas próprias palavras de Osho.

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O amor é o tema ao qual Osho retornou com mais frequência do que a qualquer outro: o corpus por trás desta biblioteca contém quase quatrocentas perguntas distintas que as pessoas lhe fizeram sobre isso. O que ele ensinava raramente correspondia ao que as pessoas esperavam ouvir. O amor, na visão de Osho, não é um relacionamento a ser assegurado, mas um estado de ser no qual se deve crescer — mais próximo da meditação do que do romance, impossível de ser encenado pelo ego e impossível de ser ensinado senão vivendo-o.

Abaixo estão os fios que percorrem seus discursos sobre o amor, cada um ancorado em uma passagem real — com um link para o discurso completo de onde ela provém.

— Amor —

Devo entender, Osho, que um escapista não pode amar nem ser não violento?

Sim, um escapista não pode amar nem ser não violento. Mas um escapista pode parecer amar, e pode até vestir o traje da não violência — e muitas vezes fará exatamente isso. O escapista não pode amar porque ainda não nasceu; ele ainda não está presente. Quem amará? Como já disse, isso não depende daquele que é amado; depende daquele que ama. Somente aquele cuja individualidade despontou interiormente, cuja pessoa nasceu, pode amar. E a pessoa nasce da luta e do desafio, lutando todos os dias — assim como um escultor cinzela uma pedra. Se a pedra se recusa a ser cortada e golpeada, nenhuma estátua aparece; ela permanece uma rocha bruta. As lutas da vida dão forma à estátua interior. Se nos recusamos a elas, permanecemos pedra. Se a individualidade, a alma, o ser, ainda não surgiram interiormente, quem está lá…

Qual é realmente a diferença entre um baul, um tantrika, um bhakta e um sufi? Todos eles pertencem ao caminho do amor? Eles parecem estar interligados. Por favor, esclareça.

OS limites se sobrepõem. Todos estão no caminho do amor, mas ainda assim há distinções sutis. Mesmo com limites sobrepostos, eles têm algo especial: um Tantrika, um Baul e um Bhakta. O Sufi não é diferente do Bhakta. O Sufi é o Bhakta no caminho maometano; o Bhakta é o Sufi no caminho hindu. Não há diferença entre um Bhakta e um Sufi, portanto não discutiremos isso. A diferença é apenas de terminologia. Os sufis usam a terminologia maometana, o Bhakta usa a terminologia hindu. A diferença não é de nenhuma importância; é apenas linguagem. Mas estes três: um Baul, um Tantrika e um Bhakta precisam ser compreendidos. O amor tem três possibilidades: sexo, a mais baixa; amor, superior ao sexo; e oração, a mais elevada. O Tantrika permanece orientado para o sexo. Na verdade, o Tantrika evita o amor, porque o amor se tornaria um emaranhamento. Ele permanece um técnico puro…

Por que o amor parece mais ilusório do que o ódio?

Sim, é assim que se sente. O amor parece mais ilusório do que o ódio porque, no amor, você tem de abandonar o ego, e, no ódio, o ego é fortalecido. É por isso que as pessoas amam menos e odeiam mais. Até na pessoa que amam — encontram algo para odiar nela. Você odeia noventa e nove por cento e ama um por cento. E até mesmo esse um por cento parece um sonho, porque, quando o ego desaparece em certos momentos, você não está presente. Quando o ego volta, o ego não consegue se lembrar exatamente do que aconteceu, porque não estava presente; parece um sonho, como se nunca tivesse acontecido, como se você simplesmente tivesse sonhado com isso. O ego não tem memória da experiência do amor. Se você está realmente apaixonado, nesse único momento acontece um êxtase; o ego não está presente. As fronteiras se fundem, misturam-se, encontram-se, desaparecem umas nas outras. Depois da experiência, quando o ego está…

Osho, qual é o significado do dito de Gurdjieff: “pratique primeiro o amor pelos animais, porque eles são mais sensíveis”?

Não tome isso literalmente, porque eu sei que o meu povo é perigoso! Ele está falando metaforicamente! Mas a afirmação de George Gurdjieff não está completa; é preciso completá-la para que você não a interprete mal. Comece amando a si mesmo; esse tem que ser o começo e esse também será o fim. Então o círculo se completa: você começa amando a si mesmo, porque você é a pessoa mais próxima de si mesmo. É claro que, quando começa a amar a si mesmo, seu amor vai da circunferência em direção ao centro, porque você existe na circunferência. Você se volta para dentro: fica na porta que conecta o seu interior e o exterior. Você olha para dentro — ainda está na circunferência — e se apaixona pelo seu centro. Esse é o começo. E o fim será quando você tiver alcançado o centro e estiver no centro e olhar…

Osho, tanto Meera, embriagada de amor, quanto Sócrates, que conhecia a si mesmo, beberam veneno. “Pivat Meera hansi re!” — bebendo, Meera ria! Mas Sócrates morreu. Por quê? Por favor, explique!

Umashankar Bharati, Isso só prova uma coisa: mesmo no tempo de Meera, as coisas não vinham puras. O veneno era adulterado — daí “Pivat Meera hansi re!” E na Grécia, onde deram veneno a Sócrates, era veneno de verdade. Sócrates não riu. Aquilo não era a Índia. Aqui, tudo é adulterado. Mulla Nasruddin queria morrer. Comprou veneno, bebeu e deitou-se para dormir. Ficava pensando: “Agora estou morto, agora estou morto…” Abriu os olhos várias vezes — o mesmo quarto, e sua esposa roncando ao lado dele. O que estava acontecendo? Deram onze horas, doze, uma, duas. Ele beliscou a si mesmo para ver se estava vivo ou morto. O beliscão doeu — claramente estava vivo. Ficou muito confuso. Então sentiu vontade de urinar. Disse: “Isso é o cúmulo — já estou morto e ainda preciso fazer xixi! Pensei que, depois que morresse, ficaria livre de todos esses incômodos.” Segurou por algum tempo, mas não conseguiu. Ele…

Osho, o amor é o progenitor da devoção, ou a devoção é a progenitora do amor? O amor é o botão e a devoção a flor? Ou o amor é o começo e a devoção o fim? Ou são diferentes?

O botão e a flor são, ambos, um e diferentes. O começo e o fim estão unidos e, ainda assim, separados. Um botão pode permanecer um botão; tornar-se uma flor é possível, não inevitável. Uma semente pode permanecer uma semente; ela poderia ter se tornado uma árvore, mas não é necessário que isso aconteça. A semente é separada — tem sua própria existência — e é também a possibilidade da árvore. Mas uma árvore só pode existir se houver primeiro uma semente. E uma árvore só pode existir se, em segundo lugar, a semente desaparecer. Primeiro ela precisa existir, e depois precisa morrer; somente então a árvore pode existir. Se não há amor, não há possibilidade de devoção. E se o amor permanece apenas amor e não vai além, então também não há possibilidade de devoção. Se o amor parar no amor, a devoção nunca nascerá. E se…

O que devo fazer depois de perder a esperança na vida por causa de um amor não correspondido?

"A rejeição pode ser uma bênção; são o seu apego e a sua imaginação que criam sofrimento, portanto abandone o apego, encontre o humor e volte-se para dentro para recuperar a sua leveza."

Segundo Osho, não se afunde no desespero por causa de um amor não correspondido; medite sobre a história e veja o seu humor: aquele que foi rejeitado sofre menos do que aquele que “ficou” com ela. A sua miséria é apego e imaginação. Abandone o apego, ganhe perspectiva e ria — a rejeição pode ser uma bênção. Volte-se para dentro, recupere a leveza e siga em frente.
Se alguém não retribui o seu amor, sorria, veja que você pode ter tido sorte, pare de se apegar e olhe para dentro de si para se sentir bem novamente.

Encontrar um parceiro para a vida é contrário aos ensinamentos sobre amor, relacionamento e let-go?

"Deixe o amor decidir a duração do seu vínculo; seja por uma noite ou por toda a vida, abrace-o livremente e parta com graça quando ele se dissipar."

Segundo Osho, buscar um parceiro para toda a vida não é contrário ao let-go; é coerente quando o único vínculo é o amor vivo, e não a lei ou o hábito. Deixe o amor decidir a duração — uma noite ou uma vida inteira. Permaneçam juntos livremente enquanto o amor respirar; se ele morrer, separem-se com graça e gratidão, sem engano ou compulsão. O let-go rejeita tanto o casamento imposto quanto a promiscuidade imposta.
Você pode ficar com uma pessoa para sempre se o amor permanecer vivo, e pode se separar com amor quando isso não acontecer — nunca force nenhum dos dois caminhos.

O que significa o amor?

"O amor é uma escada com muitos degraus; transcende a mera biologia e a paixão, convidando você a explorar suas dimensões mais sutis e criativas."

Segundo Osho, o amor não tem um único significado; é uma escada com muitos degraus. No nível mais baixo, é mera biologia — uma atração hormonal confundida com amor. Mais acima, torna-se psicológico: um amor apaixonado pela beleza, pela música, pela pintura, pela própria vida. O significado do amor depende da sua consciência; não o reduza à luxúria nem o renuncie — desenvolva-o em dimensões mais sutis, criativas e realizadoras da vida.
O amor pode começar como atração física, mas, à medida que você cresce, torna-se um cuidado mais profundo pela beleza e pela criação — o que isso significa depende de você.

Como posso expressar meu amor?

"O amor flui naturalmente quando você se purifica da culpa e desperta para o seu verdadeiro ser."

Segundo Osho, o amor se expressa como aquilo que você é por dentro; suas palavras e sua energia carregarão sua fragrância interior ou seu fedor. Portanto, não force um comportamento educado — desperte a consciência. Veja seus abusos, afrouxe o domínio que exercem e purifique-se. Quando os hábitos que geram culpa desaparecem por meio da vigilância, seu ser se torna leve, indiviso, e então o amor flui naturalmente — devocional, respeitoso e não contaminado.
Limpe o seu interior com consciência, e o amor sairá limpo por si só.

O amor pode ser ensinado?

"O amor não é uma lição a ser ensinada; é o desabrochar natural de um coração nutrido pelo calor da vida e por energias vibrantes."

Segundo Osho, o amor não pode ser ensinado como a matemática; não é informação, mas o florescimento de um coração adormecido. O coração é uma semente que cresce quando colocada em situações que afirmam a vida: a presença da natureza, companhia descontraída, energias jovens e vibrantes. Ao escolher ambientes vivos em vez de ambientes “mortos”, o coração começa a funcionar, e o amor surge espontaneamente como uma fragrância desse crescimento e renovação interiores.
Você não pode aprender o amor com lições; torne o seu mundo fresco e vivo (árvores, brincadeiras, pessoas animadas) e seu coração despertará e o amor crescerá.

O que é o amor verdadeiro sem sexo? O que é compaixão?

"O amor verdadeiro transcende o corpo e a mente; é compaixão, uma energia transbordante que nutre a alma sem exigências."

Segundo Osho, o amor real sem sexo é compaixão — a mesma energia vital refinada do corpo à mente e à alma. O sexo é o amor no nível do corpo, o amor romântico é o sexo da mente, mas a compaixão é o amor da alma: sem exigências, transbordante e nutridora. O mero sexo descarrega mecanicamente a energia; o amor mais profundo conserva-a e transforma-a, enriquecendo ambos os amantes e irradiando-se como benevolência incondicional.
Pegue o impulso bruto do sexo e transforme-o em uma luz calorosa que cuide gentilmente de todos, não apenas de uma pessoa.

O que é o amor?

"O amor verdadeiro não é uma posse, mas uma comunhão com o universo, transcendendo o pessoal para abraçar o absoluto."

Segundo Osho, o amor não é a frágil e momentânea “bolha de sabão” dos relacionamentos comuns; o amor verdadeiro é um grande caso de amor — uma comunhão com todo o universo. Um mestre pode servir como uma janela para essa vastidão, mas o amor é para o céu, não para a moldura da janela. O amor verdadeiro transcende a posse, o ciúme e o desejo, levando você além do pessoal, para o absoluto.
Amor significa abrir-se a todo o céu da vida, não se apegar à janela (pessoa) que ajuda você a enxergá-lo.

Como poderia o amor manifestar-se entre Krishna e Meera apesar do intervalo de cinco mil anos?

"O amor transcende o tempo e o espaço, conectando a essência atemporal dos seres para além dos limites da distância e da cronologia."

Segundo Osho, o amor anula o tempo e o espaço; ele liga a consciência ao atemporal, não corpos limitados pela distância. Meera não amava a forma desaparecida de Krishna, mas sua essência sempre presente. Com devoção inabalável, ela o tornou contemporâneo, pois o amor abre a janela para o imortal. Assim, a intensidade do amor — não a cronologia ou a proximidade — torna possível a verdadeira comunhão, tornando Krishna disponível para Meera através de cinco mil anos.
O amor não segue relógios nem milhas; ao amar Krishna com todo o seu coração, Meera tocou seu espírito sempre vivo, não seu corpo que se foi, por isso ele se fazia presente.